BLOG BMJ

A paralisação que o País não viu

16/12/2019 12:33:38 / por Wagner Parente

Apesar das ameaças de uma nova paralisação dos caminhoneiros a nível nacional nesta segunda-feira (16), até o momento poucas movimentações foram registradas. Ainda, segundo dados do Ministério da Infraestrutura, não há nenhum sinal de paralisação nas principais rodovias do país. O ato desta semana havia sido convocado por Marconi França, um dos líderes dos caminhoneiros autônomos, e contava com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres e Logística (CNTTL), também ligada à CUT. As principais reivindicações feitas dizem respeito ao aumento dos preços de combustíveis, principalmente do diesel; à publicação nesta terça-feira, dia 17, de resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) regulamentando a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT); e o reajuste no piso mínimo do frete, previsto em torno de 14 a 18%. Desde o início, a manifestação não contou com o apoio de líderes relevantes da categoria, como Wallace Landim (conhecido como “Chorão”) e Wanderlei Alves (“Dedeco”), dois dos protagonistas dos movimentos de 2018.

A mobilização dos caminhoneiros está baixa principalmente devido a um alinhamento maior da categoria com o governo, que tem aberto canais de diálogo com os transportadores. Lideranças das paralisações de 2018, como Chorão e Dedeco, têm estado em contato com representantes tanto da ANTT como do Ministério da Infraestrutura ao longo desse ano, o que cria um canal institucional para a veiculação de suas demandas, mitigando o risco de paralisações. A preocupação do governo com uma possível nova greve, que poderia ter resultados muito negativos para a economia, explica a tentativa de solucionar a questão por meio do diálogo.

Outro fator que explica a baixa mobilização é o fato de que os movimentos estão sendo convocados por líderes ligados a sindicatos. Dado que muitos transportadores estão ideologicamente alinhados com o governo, isso pode criar a impressão de uma tentativa de cooptação política do movimento pela esquerda. O estabelecimento do piso mínimo do frete e a regulamentação do CIOT, importante para a fiscalização e o cumprimento do piso, enfrentam oposição de entidades empresariais da indústria e da agricultura, que veem as medidas como geradoras de distorções na economia. Embora o risco de uma paralisação esteja baixo, o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (UNICAM), o “China”, afirmou que, até agora, nada concreto foi entregue pelo governo. Se as demandas não forem atendidas nos próximos dias, uma manifestação pode se tornar mais provável.

Tópicos: Imposto, Articulação Política, Ministério da Economia

Wagner Parente

Escrito por Wagner Parente

Wagner Parente acumula a função executiva de CEO da BMJ com atuações consultivas nas equipes de Relações Governamentais e Comércio Internacional. Wagner é advogado, mestre em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela PUC-SP e possui MBA em Gestão de Negócios pela FIA-USP, além de ser professor de Relações Institucionais na Fundação Getúlio Vargas.

Assine nosso Newsletter

Posts Recentes